Associação de Vela de Macaé

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Flotilha MacVela lança Projeto  Ver o Vento na I Jornada Nacional da Solidariedade

Proporcionar a uma pessoa cega/deficiente visual a oportunidade de entrar em contato com o mundo da vela levando-a a um passeio a bordo de um Dingue, onde através das sensações e emoções envolvidas durante uma velejada ela possa vir a conhecer e ter a noção exata deste belo cartão postal que é a Lagoa de Imboassica.

Este é o objetivo básico do Projeto Ver o Vento idealizado pela Flotilha MacVela e que teve a idéia abraçada pelo Sr. Marcos Passos, presidente da AMAC - Associação Macaense de Apoio aos Cegos e pelos demais organizadores da I Jornada Nacional da Solidariedade que aconteceu no período de 5 a 8 de Março de 2008 no MACAÉCENTRO - Centro de Convenções Jornalista Roberto Marinho.

Na Feira Solidária foi montado um veleiro Dingue no stand da Flotilha MacVela onde foi apresentado o projeto e foram feitas as inscrições das pessoas deficientes interessadas em vivenciar esta experiência. Ali elas entraram em contato com o barco, inicialmente através de uma maquete e logo em seguida no barco real, através do tato passaram a ter a noção de espaço e dos movimentos e manobras da embarcação antes da velejada.  Um micro-ônibus fez o transporte das pessoas inscritas para o passeio até a Lagoa de Imboassica onde uma flotilha de Dingues tripuladas por timoneiros e proeiros experientes levaram uma pessoa  por barco ao passeio a vela.

Uma das participantes da velejada foi a cantora e compositora Sara Bentes que também fez um show no sábado a noite no encerramento da Jornada Solidária. Sara Bentes foi uma das protagonistas do Projeto Percepções, que foi exibido pelo Fantástico da Rede Globo em 2005/2006. Sara viveu, durante os 84 dias que durou a expedição tendo percorrido 30.000Km por 9 países da América do Sul, várias experiências com esportes radicais, mas foi com o projeto Ver o Vento que teve a oportunidade de velejar pela primeira vez.

Veja as fotos do evento


Leia os depoimentos de algumas pessoas que participaram do Projeto Ver o Vento:

"Gostei da experiência de velejar.  Apesar do pouco tempo e de não ter sido possível manejar os instrumentos, por causa do forte vento que requeria alguém com experiência.
Mas sentir o vento e a sensação do barco deslizando na água, ora virando um pouco pra lá e pra cá foi muito legal e relaxante.

Acho bom o Projeto. É mais uma opção de lazer, principalmente pras crianças/adolescentes deficientes que não têm tantas opções."

Renato Costa, cego de nascença - AMAC (Associação Macaense de Apoio aos Cegos), do Rio de janeiro

"Para mim foi uma experiência inesquecível, face ao fato de nunca haver velejado antes, e, foi  incrível saber que uma pessoa cega pode conseguir superar mais um  incrível obstáculo que é o de estarem em um barco mesmo sem estar vendo o que acontece ao seu redor.
Penso que se cada ser humano fizesse um pouco pelo seu próximo assim
como vocês estão tentando fazer, com certeza, o mundo estaria muito
melhor. Quero parabenizá-los pela iniciativa pioneira em nossa região."

João Eterno - cego na adolescência -  Professor da AMAC (Associação Macaense de Apoio aos Cegos), de Macaé-RJ

"Amo a água, amo o sol, amo o céu! A união desses três elementos, pra mim, é sentir a liberdade, a plenitude!
Estar então sobre a água, sob o sol e sentindo o vento, mais atentamente que nunca, foi maravilhoso; não tive medo, apenas a imensurável alegria de
aprender a ficar mais atenta aos elementos da natureza, em especial o vento, e interagir com ela de maneira a alcançar movimento, velocidade, ricas sensações.

 Aquele ambiente novo pra mim foi me ensinando aos poucos a ficar à vontade com os sons, com o balanço, com o  espaço do barco, com o
movimento; rapidamente aprendi a reconhecer o som da vela panejando, da bolina raspando, eventualmente, a areia do fundo da lagoa, o som da água, que indicava com a intensidade, o aumento ou diminuição da nossa velocidade.

Gostei também de, com as mãos e os braços molhados, tentar verificar a direção do vento, o que não me pareceu tão difícil. Todos os outros sentidos e percepções podem ser mais facilmente aguçados quando não se tem a visão perfeita, e isso pode ser muito bem aproveitado com criatividade, inteligência e sensibilidade, em qualquer situação.

Pretendo muito velejar novamente em outra oportunidade, obviamente tomando o cuidado de ser apresentada ao barco antes de ir pra água com ele...
Valeu! Não só pelo leme quebrado, mas nunca vou me esquecer da minha primeira velejada! Aliás, vou me lembrar sempre com muito carinho!"

Clique aqui para conhecer a música de Sara Bentes

Sara Bentes - baixa visão - Cantora e Compositora, de Volta Redonda-RJ

"Eu agradeço a inesperada oportunidade de conhecer a arte de velejar, pena que por pouco tempo.
Também gostei muito de ter participado da Jornada da Solidariedade, e gostei  da proposta do Projeto Ver o vento, não é todo dia que alguém observa uma função, a do proeiro por exemplo, e imagina que seria possível haver um cego ali."

José Victor - baixa visão - Universitário, de Niterói-RJ

" Ações efetivas iguais a que vocês realizam é que fazem com que os cegos se sintam realmente incluídos. Tive contatos com os que participaram deste belo projeto,e expressaram o contentamento em manter contato com a natureza velejando com excelentes profissionais que através do entretenimento os fizeram se deliciar em ir ao encontro do vento, descobrindo novas sensações.

Expresso a minha gratidão pela brilhante participação, e me comprometo que a atenção não lhes faltará na II Jornada, que já está sendo planejada, e me comprometo marcar um dia para que vocês venham até a AMAC expor para os alunos cegos o projeto, e providenciarei transporte até a lagoa para que tenham o prazer do contato com a natureza velejando, prazer que nunca antes lhes foram proporcionado."

Marcos Passos - cego aos 42 anos - Presidente da AMAC (Associação Macaense de Apoio aos Cegos), de Macaé-RJ