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Diário de bordo

Este é o diário de bordo da Flotilha MACVELA, onde você vai poder acompanhar o que está acontecendo e que também vai servir como um registro da evolução da flotilha. Qualquer filiado poderá colaborar enviando para o site um relato de suas velejadas contando suas aventuras e peripécias a bordo de seus barcos, seja num passeio ou participando de regatas.

 

21/06/08 - Sábado - velejando em família
20/05/06 - Sábado - velejando na lagoa
08/04/06 - Sábado - XXV Regata Transarauama
18/03/06 - Sábado - flotilha de dois
19/02/06 - Sábado -  "pelada" no vento 2
11/02/06 - Sábado - pelada no vento
10/01/06 - Terça-feira - aventura e desventura no Rio São João
21/06/08 - Sábado - velejando em família                                                                Maurício Sellis

O sábado amanheceu prometendo. Céu absolutamente limpo e uma temperatura amena de término de outono. O dia seria perfeito para uma velejada se não fosse por um pequeno detalhe: a completa falta de vento. Como em casa de praia sempre se tem muito a fazer, fui lixar umas madeiras, colocar uns pregos nos lugares... Mas sempre mantendo o olhar nas árvores do clube que ficam em frente de casa.

Já no meio da tarde, e com as esperanças diminuídas, começam a aparecer as primeiras rajadas de uma leve brisa vinda do sudoeste. "- Vai firmar...” Fiquei animado. O barco (nosso amigo Hip Hop, de propriedade do Lamim), estava comigo desde a sexta feira, quando rumei para Araruama. No dia seguinte participaríamos da quarta etapa da Copa pé-de-vento em Cabo Frio: Lamim correndo com o Etelmar no Dingue e eu no Dudu o laser do Etelmar. O lugar: nada menos que a maravilhosa lagoa de Araruama, a maior lagoa hipersalina permanente do mundo (que finalmente mostra sinais de recuperação após tantos anos de exploração imobiliária e comercial sem medidas).

Entra mais uma rajada, dessa vez um pouco mais forte. Um olho na lixadeira, que percorria uma antiga tábua que pretende virar encosto de banco (que já tem vaga marcada na varanda da casa), e outro nas copas das casuarinas que habitam à beira do canal que liga a lagoa da Pernambuca à lagoa de Araruama. "- Vou terminar de lixar essa peça e parto com o barco para a água!" Conforme a lixa corria pela tábua com seu barulho infernal, a cabeça já estava se preparando e planejando os próximos passos.

Máquina desligada, e largada no chão mesmo. "Quando voltar, arrumo isso. Preciso aproveitar o vento e o final do sol.” Bato a poeira, entro em casa, pego a chave do carro "- Filha papai vai velejar, quer ir também?" É o mesmo que perguntar se macaco quer banana. Quando menos espero, a Pequena já está dentro do carro esperando para irmos para a água. Entro no carro e atravesso a rua para entrar no clube, que tem gente para me ajudar a tirar o barco da carreta. Tira-se o barco e começa a montagem: cabos para lá, colete para cá... Em pouco tempo o barco que antes jazia sem vida sobre o reboque agora aguarda ansioso para cumprir seu destino.

A rampa de descida para os barcos fica em um canal muito estreito, impossível de fazer um bordo. Por sorte o vento, que já estava mais forte, era filtrado pelas muitas árvores na beira do canal, e chegava fraco até a vela. Os galhos das árvores tocavam vez ou outra o top do mastro. Os galhos foram nos deixando passar por entre eles, até que na boca do canal ganhamos a Lagoa. Como havíamos ficado todo o dia sem nenhum vento, ela estava estranhamente calma e lisa. A pequena, como sempre, pipocava entre o deck na proa do dingue e a popa do barco. O vento começava a ficar interessante, e partimos para uma jornada até a Ponta das Coroinhas. No caminho, um barulhento Jet-Ski cortava a água a nossa frente, interrompendo o silêncio e alguns peixes que saltavam da lagoa como se quisessem ser vistos.

Quase chegando à Ponta, um pequeno encalhe. Mostra que ainda falta muito a se recuperar, pois o assoreamento da lagoa é notório. Resolvemos fazer meia volta e partimos em direção à ponta do Ingá, que é o outro extremo do Saco da Tiririca, onde fica o Clube e nossa casinha. No meio do caminho, com o sol bem mais baixo, a Pequena (que a essa altura já estava toda molhada de tanto colocar a mãozinha na água) começa a reclamar de frio e resolvo então voltar ao clube. Como estávamos com vento quase de frente, precisei fazer algumas viradas, até finalmente encostarmo-nos na prainha, em frente ao clube. Enquanto desembarcávamos, vimos que a Mamãe nos esperava do outro lado do canal, em frente à escola. Voltamos para o barco, e em poucos instantes encostávamos o barco em frente à escolinha."- Mamãe quer ir com agente”, disparou a Pequena.

Meio que no susto conseguimos embarcar a Mamãe. Colete nas duas, e com vento nas costas, saímos da praia seguindo em direção da ponta do Coroinhas novamente. A família estava unida e muito feliz. A cada pequena cambada do barco, Mamãe entrava em pânico, mas começou a relaxar quando percebeu que a velejada era segura. Seguimos paralelos à praia, até ela terminar. Seguimos por mais algumas centenas de metros e fizemos uma volta. Tomando o rumo aproximado de Araruama, seguimos agora com um vento de través. O barco ganhou velocidade, e os borrifos das ondas contra o casco por vezes respingavam o convés. A Pequena, toda animada com a Mamãe no barco, esqueceu-se até do frio.

Bem depois do través do clube, quase chegando à ponta do Ingá, fomos agraciados com um dos mais belos pores-do-sol da Região dos Lagos. Os matizes de vermelho e púrpura tomavam o horizonte por trás das casuarinas plantadas no entorno da lagoa.

De lá, outra volta. Tomamos o rumo do clube, e mais um pouco e estávamos desembarcando na prainha. Na hora do desembarque, a Pequena pula afoita do barco enquanto eu seguro nosso amigo para o desembarque da Mamãe. Segui com o barco até a rampa. Enquanto a Mamãe e a Pequena saboreavam um pastel no bar do clube, fui lavar, desmontar e guardar o barco para a empreitada do dia seguinte.

Voltei para casa rebocando o barco e com um profundo sentimento de alegria. São momentos como este que, apesar de breves, nos trazem o verdadeiro sentido de felicidade.

Deixo aqui, além de meu depoimento, um agradecimento especial à Mamãe, à Pequena, ao Lamim e ao Hip Hop, que me proporcionaram um dia como poucos na vida.

 

20/05/06 - Sábado - velejando na lagoa                                                           M. Lamim
Como de praxe, foram enviados e-mails para todos os filiados avisando da velejada a partir das 13h na Lagoa de Imboassica. Hoje estreamos um barco "novo" da flotilha, um laser bem antiguinho fabricado em 1980, que depois de uma reforma e pintura nova estava pronto para umas boas velejadas. A maioria dos barcos da nossa flotilha tem em média 20 anos e como este ainda tem muitos barcos parados por aqui doidos para voltarem a navegar. Assim que chegamos na rampa encontramos o laser do Ermando virado e com a vela toda dentro da água, após termos desvirado o barco começamos a montar o laser e o dingue. Eu sairia no laser e o Danilo e a  Luciana no dingue. Avistamos lá do outro lado da lagoa a vela branca e verde do dingue do Carlos Alberto que sempre marca presença nas nossas velejadas.

Enquanto montávamos os barcos, apareceu uma pessoa com a família e após as apresentações, disse que mora num condomínio próximo da lagoa e que sempre via nossas velejadas da janela de sua casa e que como tem interesse em vela gostaria de fazer parte de nosso grupo. Já tinha tido algumas aulas de laser com o Beno, porém não tinha tido oportunidade de praticar, pois ainda não tinha um barco. Demos o endereço de nosso site e o convidamos a se cadastrar na flotilha como tripulante de meu dingue e enquanto não tinha seu próprio barco, poderia vir participar de nossas velejadas de final de semana, pois um dos objetivos da flotilha é divulgar a vela  e dar uma força para as pessoas começarem no esporte. Assim ganhamos mais um filiado que já se cadastrou com o apelido Hasting.

Com o vento devagar quase parando saímos para velejar, logo depois apareceu o Ermando e a Maristela que também sairam no laser Armadilo. Com isso tínhamos 4 barcos da flotilha na água, dois dingues e dois lasers, o que daria um pega legal, mas com o vento fraco não colocamos a nossa bóia improvisada na água. Lá no meio da lagoa encontramos o Carlos Alberto e ficamos parados batendo papo esperando o vento dar o ar da graça. Havia um grupo de estudantes da Universidade Gama Filho fazendo umas pesquisas e o Carlos Alberto havia ajudado os alunos na coleta de água. Sempre tem alguém fazendo estudos da lagoa, esperamos que um dia os governantes façam bons usos dessas pesquisas para melhorarem a vida dessa bela lagoa. Como quem espera sempre alcança, logo começou uma brisa e saímos a velejar pela lagoa e ficamos até o final da tarde curtindo um belo por do sol.

 

08/04/06 - Sábado - XXV Regata Transararuama                                              M. Lamim
A Regata Transararuama que é uma tradicional regata de percurso com 48Km de extensão e que atravessa toda a Lagoa de Araruama, é promovida pelo Camping Clube do Brasil e acontece todos os anos sempre na semana que antecede a Semana Santa. A classe Laser larga às 11h do Camping Clube de Cabo Frio, no canal de Itajuru. As classes Dingue, Hobbie Cat, Prancha a vela, Tropical, etc,  largam às 12h da enseada da Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia. A classe Optimist larga da enseada do Bar Budo em Araruama às 13h. A chegada de todas as classes é no camping Clube Araruama II. Quem já participou sabe que esta regata é imperdível.

Cinco filiados da nossa flotilha participaram desta 25ª edição da regata: Carlos Alberto e Etelmar no dingue Laureen, eu e Marina Lamim com o dingue Hip Hop, com a largada de São Pedro da Aldeia às 12h e o Zeca e mais o seu proeiro Rodrigo no Laser, com a largada de Cabo Frio às 11h. Este ano a regata teve a participação de 40 barcos, sendo 10 da classe Dingue. Sempre com vento de popa e não muito forte e com um bonito dia de sol, foi uma velejada bastante agradável. O Carlos Alberto junto com seu proeiro Etelmar, arrebentaram, ficando com o 2º lugar na classe Dingue com um tempo de 3h45m44s, eu e Marina ficamos em 7º lugar com um tempo de 3h50m02s, com uma diferença de apenas 2s na frente do oitavo lugar. O Zeca e Rodrigo faturaram as medalhas de 1º lugar na Laser Double. Se Deus quiser ano que vem estaremos de volta e com mais gente da flotilha participando. Bons ventos a todos.

 

18/03/06 - Sábado - flotilha de dois                                                                                 M. Lamim
Depois daquela indecisão se ia ou não ia velejar, consegui vencer a inércia e lá fui eu rebocando meu dingue pra lagoa, fui sozinho já que o Danilo que seria o proeiro não pôde  ir. Achava que não ia dar ninguém, já que o tempo estava ficando instável, mas chegando lá o Carlos Alberto do dingue Laureen já estava velejando desde as 13h sozinho também. Pelo menos não seria uma velejada solitária. Estava ventando bastante e tive dificuldades de encaixar o mastro com a vela no copo do mastro, mas aquele vento estava prometendo uma velejada bem emocionante. Já com o barco na água o Carlos Alberto me desafiou para um pega até a praia da lagoa que estava bem na direção do vento. Lá fomos nós bordejando e na maior parte do tempo com os barcos paralelos, parecia até um Match-race.

 Quando chegamos na praia encontramos o Beno do veleiro Sakumé com a Marcela e a filha dele, a Ágata, só que eles estavam de moto e não de barco. Saímos os quatro para uma velejada no meu dingue e depois que fui ajudar o Carlos Alberto a desmontar seu barco, o Beno ficou velejando com a família dele no dingue. No final de tarde voltei sozinho lá pra rampa do Ermando muito satisfeito com a velejada do dia pensando como valeu a pena ter saído da inércia e ido pra lagoa  e ter encontrado os amigos para uma velejada e um bate-papo. Ah, o teste da bóia ficou pra próxima semana e espero que mais gente consiga sair daquela inércia e ir dar uma velejada, pois sempre vale a pena.

 

19/02/06 - Sábado -  "pelada" no vento 2                                                                      M. Lamim
O tempo  estava ótimo, com muito sol e um ventinho NE. Conforme prometemos, construímos uma bóia improvisada  com 50 garrafas pet, a bóia ficou com 1,5m de altura por 50 cm de diâmetro, tudo encapado com uma lona amarela, na parte de baixo tinha 5 garrafas abertas para funcionarem como lastro e enchemos duas garrafas pet de 2,75l de areia, brita e água para  funcionar como "âncora". Assim que chegamos na lagoa fomos logo testar a tal da bóia ecológica, mas o sistema de lastro não funcionou e a bóia insistia em ficar deitada, bom, pelo menos a âncora funcionou. Lançamos a bóia lá perto do Hotel DuLac bem na direção do vento.

 Voltamos para a rampa do Ermando e vimos que mesmo deitada ela ficou bem visível por causa da cor amarela. Hoje apareceram 4 filiados e 4 barcos, sendo o Ermando no Laser, Mauro e Danilo no Dingue, João Bosco de Windsurf  e um laser que ainda não é cadastrado na flotilha com 4 adolescentes a bordo. Botamos um pega barla-sota com largada no contravento em frente a rampa do Ermando, contornando a bóia e com chegada em popa na rampa. Por falar na rampa, o Ermando aproveitou quando o nível da lagoa estava baixo devido a abertura feita pela prefeitura em novembro do ano passado e completou com concreto o final da rampa acabando com aquele degrau que atrapalhava subir com o barco. Parabéns pro Ermando, que está sempre cuidando da rampa com o maior carinho e esforço próprio. Para a próxima pelada, vamos tentar aperfeiçoar o sistema de lastro  e construir uma segunda bóia.

 

11/02/06 - Sábado - a "pelada" no vento                                                                        M. Lamim
Hoje começamos as velejadas semanais na Lagoa de Imboassica para ver se a galera começa a se animar a colocar os barcos na água para velejar em grupo, o que é um dos principais objetivos da flotilha. O tempo não ajudou muito, estava bastante nublado e ameaçando chuva, mas mesmo assim compareceram 3 filiados em dois barcos da flotilha, Carlos Alberto no dingue Laureen, Mauro e Danilo no dingue Hip Hop. O Ermando apareceu no final pra dar uma olhada e disse que só não pode velejar porque teve que atender um cliente. Aproveitamos uns toquinhos, que estavam fincados na lagoa, como marcas e botamos um pega, o vento estava muito bom e deu pra se divertir bastante. Prometemos improvisar umas bóias para a próxima semana. No final enquanto estávamos desmontando o barco caiu o maior toró, mas como a vela já é um esporte molhado por natureza, só choveu no molhado.

 

10/01/06 - Terça-feira - aventura e desventura no Rio São João                               M. Lamim
Este relato serve para mostrar algumas coisas que nunca devemos fazer quando sairmos para velejar. Aproveitando que estávamos de férias, eu e o Edson Veras resolvemos subir o Rio São João no dingue Hip Hop para conhecer além daquela curva do rio onde os barcos contornam a bóia na Regata do Poeta Casimiro de Abreu, e também fazer um reconhecimento do percurso para quem sabe promovermos um passeio à vela com a galera da flotilha.

Lançamos o barco na água numa rampa de concreto que fica próximo do Iate Clube de Barra de São João e  contrariando as recomendações da própria flotilha, resolvemos ir sem os coletes salva-vidas já que o rio é calmo e o vento estava fraco. Logo no início da velejada, além do vento fraco e contra ainda tínhamos que lutar contra a correnteza. Ficamos bordejando de um lado pro outro enquanto  um garotinho que estava remando um caiaque próximo da margem ficava recebendo as instruções do seu pai. Um bom tempo depois o garotinho ainda continuava do nosso lado, o problema era que o garotinho sempre ficava remando em círculos. Finalmente conseguimos avançar e fazer a tal curva do rio, e agora com o vento numa direção mais favorável pudemos começar nossa aventura.

 Passamos por uma estação de captação de água, que por sinal é muito limpa, e por algumas casas na margem esquerda com pequenos piers e barcos ancorados. As casas foram rareando cada vez mais até que depois de algumas curvas não se via mais nenhum sinal de civilização, só uma natureza com muito verde e a paisagem deslumbrante do Morro de São João a nossa frente. Passamos por quatro garotos que estavam numa pequena  canoa que também subiam o rio. Depois de quase 1 hora de velejada, avistamos uma  prainha na margem direita e resolvemos dar uma paradinha. Assim que amarramos o dingue nuns  galhos na beira do rio vimos sinal de "civilização" novamente, uma placa meio escondida no mato que dizia: "PROPRIEDADE PARTICULAR. PROIBIDA A ENTRADA, CAÇAR E PESCAR." Achamos que não iria aparecer nenhum segurança armado por ali, então aproveitamos para nadar no rio, tirar umas fotos e beber uma cervejinha.

 Resolvemos então descer o rio, pois ainda pretendíamos velejar pela ponte quebrada. Soltamos as amarras e aí começou aquela seqüência de fatores que levam a um acidente. O Edson resolveu limpar a proa do barco que estava cheio de areia, só que foi pelo lado de sotavento, nesse exato momento começou umas rajadas de vento e como eu estava distraído não consegui evitar o capotamento. O barco rapidamente ficou totalmente emborcado, e aí que vimos como era fundo onde estivemos nadando, com mais de 7 metros de profundidade. Sem o colete nadei e me segurei no barco, o tempo ia passando e nem sinal do Edson Veras, comecei a chamar por ele já meio preocupado até que ele apareceu, estava debaixo do barco e aproveitou o bolsão de ar formado pelo cockpit para ver se as coisas estavam bem amarradas, provavelmente estava tratando de salvar primeiro as latinhas de cerveja.

O jeito agora era desvirar o barco, mas a bolina, que estava sem o batente(stopper), tinha sido empurrada para cima pela água através da caixa de bolina ficou presa só pela pontinha, só que na hora eu não percebi esse detalhe. Então num só impulso agarrei a bolina enquanto tentava subir no barco apoiando a ponta dos pés no verdugo, a bolina cedeu quebrando a ponta de madeira e eu escorreguei os pés do verdugo, como a unha do dedão estava meio grande ela prendeu na borda e levantou como se fosse um capô de carro. Foi tão rápido que na hora nem senti dor, só na água é que ví que tinha alguma coisa errada. Mas como ainda tinha que desvirar o barco escalei o mesmo pela popa, encaixei a bolina de volta e voltei o barco pra posição normal.

 Enquanto isso o Edson estava lá no meio do rio abraçado com os dois coletes esperando ser resgatado. Sentindo agora uma dor desgraçada no dedão comecei as tentativas de aproximação e só depois de umas quatro ou cinco tentativas consegui resgatar o náufrago. Os garotos da canoa nem se manifestaram em nos ajudar, provavelmente eles estavam era se divertindo com as nossas trapalhadas. Além da unha, de um óculos de sol perdido e da bolina quebrada, não houve mais nenhum dano. Velejamos de volta, por mais ou menos uma hora, só que dessa vez não estava achando mais nenhuma graça na paisagem.

Chegando em casa fui direto para o hospital para acabar de tirar a unha, depois de ouvir a tradicional bronca da mulher: eu não falei que era pra cortar essa unha!! No hospital a enfermeira boazinha fez um curativo compressivo com gaze, mas não usou pomada nenhuma. Então no dia seguinte na hora de trocar o curativo, a gaze estava colada naquela carne viva do dedão e aí tive que "tirar a unha" novamente, só que dessa vez  em câmera lenta. Apesar de tudo, valeu pelo passeio e pelas lições aprendidas: sempre velejar com coletes salva-vidas, manter as peças do barco sempre em bom estado, treinar resgate de homem ao mar e principalmente sempre aparar as unhas antes de sair para velejar, pois unha grande definitivamente não combina com barco à  vela.