|















| |
|
Diário de bordo |
| Este é o diário
de bordo da Flotilha MACVELA, onde você vai poder acompanhar o que está
acontecendo e que também vai servir
como um registro da evolução da flotilha. Qualquer filiado poderá colaborar
enviando para o site um relato de suas velejadas contando suas aventuras e
peripécias a bordo de seus barcos, seja num passeio ou participando de
regatas. |
|
|
|
21/06/08 - Sábado -
velejando em família
Maurício Sellis |
|
O sábado
amanheceu prometendo. Céu absolutamente limpo e uma temperatura amena de
término de outono. O dia seria perfeito para uma velejada se não fosse por
um pequeno detalhe: a completa falta de vento. Como em casa de praia sempre
se tem muito a fazer, fui lixar umas madeiras, colocar uns pregos nos
lugares... Mas sempre mantendo o olhar nas árvores do clube que ficam em
frente de casa.
Já no meio
da tarde, e com as esperanças diminuídas, começam a aparecer as primeiras
rajadas de uma leve brisa vinda do sudoeste. "- Vai firmar...” Fiquei
animado. O barco (nosso amigo Hip Hop, de propriedade do Lamim), estava
comigo desde a sexta feira, quando rumei para Araruama. No dia seguinte
participaríamos da quarta etapa da Copa pé-de-vento em Cabo Frio: Lamim
correndo com o Etelmar no Dingue e eu no Dudu o laser do Etelmar. O lugar:
nada menos que a maravilhosa lagoa de Araruama, a maior lagoa hipersalina
permanente do mundo (que finalmente mostra sinais de recuperação após tantos
anos de exploração imobiliária e comercial sem medidas).
Entra mais
uma rajada, dessa vez um pouco mais forte. Um olho na lixadeira, que
percorria uma antiga tábua que pretende virar encosto de banco (que já tem
vaga marcada na varanda da casa), e outro nas copas das casuarinas que
habitam à beira do canal que liga a lagoa da Pernambuca à lagoa de Araruama.
"- Vou terminar de lixar essa peça e parto com o barco para a água!"
Conforme a lixa corria pela tábua com seu barulho infernal, a cabeça já
estava se preparando e planejando os próximos passos.
Máquina
desligada, e largada no chão mesmo. "Quando voltar, arrumo isso. Preciso
aproveitar o vento e o final do sol.” Bato a poeira, entro em casa, pego a
chave do carro "- Filha papai vai velejar, quer ir também?" É o mesmo que
perguntar se macaco quer banana. Quando menos espero, a Pequena já está
dentro do carro esperando para irmos para a água. Entro no carro e atravesso
a rua para entrar no clube, que tem gente para me ajudar a tirar o barco da
carreta. Tira-se o barco e começa a montagem: cabos para lá, colete para
cá... Em pouco tempo o barco que antes jazia sem vida sobre o reboque agora
aguarda ansioso para cumprir seu destino.
A rampa de
descida para os barcos fica em um canal muito estreito, impossível de fazer
um bordo. Por sorte o vento, que já estava mais forte, era filtrado pelas
muitas árvores na beira do canal, e chegava fraco até a vela. Os galhos das
árvores tocavam vez ou outra o top do mastro. Os galhos foram nos deixando
passar por entre eles, até que na boca do canal ganhamos a Lagoa. Como
havíamos ficado todo o dia sem nenhum vento, ela estava estranhamente calma
e lisa. A pequena, como sempre, pipocava entre o deck na proa do dingue e a
popa do barco. O vento começava a ficar interessante, e partimos para uma
jornada até a Ponta das Coroinhas. No caminho, um barulhento Jet-Ski cortava
a água a nossa frente, interrompendo o silêncio e alguns peixes que saltavam
da lagoa como se quisessem ser vistos.
Quase
chegando à Ponta, um pequeno encalhe. Mostra que ainda falta muito a se
recuperar, pois o assoreamento da lagoa é notório. Resolvemos fazer meia
volta e partimos em direção à ponta do Ingá, que é o outro extremo do Saco
da Tiririca, onde fica o Clube e nossa casinha. No meio do caminho, com o
sol bem mais baixo, a Pequena (que a essa altura já estava toda molhada de
tanto colocar a mãozinha na água) começa a reclamar de frio e resolvo então
voltar ao clube. Como estávamos com vento quase de frente, precisei fazer
algumas viradas, até finalmente encostarmo-nos na prainha, em frente ao
clube. Enquanto desembarcávamos, vimos que a Mamãe nos esperava do outro
lado do canal, em frente à escola. Voltamos para o barco, e em poucos
instantes encostávamos o barco em frente à escolinha."- Mamãe quer ir com
agente”, disparou a Pequena.
Meio que no
susto conseguimos embarcar a Mamãe. Colete nas duas, e com vento nas costas,
saímos da praia seguindo em direção da ponta do Coroinhas novamente. A
família estava unida e muito feliz. A cada pequena cambada do barco, Mamãe
entrava em pânico, mas começou a relaxar quando percebeu que a velejada era
segura. Seguimos paralelos à praia, até ela terminar. Seguimos por mais
algumas centenas de metros e fizemos uma volta. Tomando o rumo aproximado de
Araruama, seguimos agora com um vento de través. O barco ganhou velocidade,
e os borrifos das ondas contra o casco por vezes respingavam o convés. A
Pequena, toda animada com a Mamãe no barco, esqueceu-se até do frio.
Bem depois
do través do clube, quase chegando à ponta do Ingá, fomos agraciados com um
dos mais belos pores-do-sol da Região dos Lagos. Os matizes de vermelho e
púrpura tomavam o horizonte por trás das casuarinas plantadas no entorno da
lagoa.
De lá, outra
volta. Tomamos o rumo do clube, e mais um pouco e estávamos desembarcando na
prainha. Na hora do desembarque, a Pequena pula afoita do barco enquanto eu
seguro nosso amigo para o desembarque da Mamãe. Segui com o barco até a
rampa. Enquanto a Mamãe e a Pequena saboreavam um pastel no bar do clube,
fui lavar, desmontar e guardar o barco para a empreitada do dia seguinte.
Voltei para
casa rebocando o barco e com um profundo sentimento de alegria. São momentos
como este que, apesar de breves, nos trazem o verdadeiro sentido de
felicidade.
Deixo aqui,
além de meu depoimento, um agradecimento especial à Mamãe, à Pequena, ao
Lamim e ao Hip Hop, que me proporcionaram um dia como poucos na vida.
|
|
20/05/06 - Sábado -
velejando na lagoa M. Lamim |
| Como de praxe,
foram enviados e-mails para todos os filiados avisando da velejada a partir
das 13h na Lagoa de Imboassica. Hoje estreamos um barco "novo" da flotilha,
um laser bem antiguinho fabricado em 1980, que depois de uma reforma e
pintura nova estava pronto para umas boas velejadas. A maioria dos barcos da
nossa flotilha tem em média 20 anos e como este ainda tem muitos barcos
parados por aqui doidos para voltarem a navegar. Assim que chegamos na rampa
encontramos o laser do Ermando virado e com a vela toda dentro da água, após
termos desvirado o barco começamos a montar o laser e o dingue. Eu sairia no
laser e o Danilo e a Luciana no dingue. Avistamos lá do outro lado da
lagoa a vela branca e verde do dingue do Carlos Alberto que sempre marca
presença nas nossas velejadas.
Enquanto montávamos os barcos, apareceu uma pessoa com a família e após as
apresentações, disse que mora num condomínio próximo da lagoa e que sempre
via nossas velejadas da janela de sua casa e que como tem interesse em vela
gostaria de fazer parte de nosso grupo. Já tinha tido algumas aulas de laser
com o Beno, porém não tinha tido oportunidade de praticar, pois ainda não
tinha um barco. Demos o endereço de nosso site e o convidamos a se cadastrar
na flotilha como tripulante de meu dingue e enquanto não tinha seu próprio
barco, poderia vir participar de nossas velejadas de final de semana, pois
um dos objetivos da flotilha é divulgar a vela e dar uma força para as
pessoas começarem no esporte. Assim ganhamos mais um filiado que já se
cadastrou com o apelido Hasting.
Com o vento devagar quase parando saímos
para velejar, logo depois apareceu o Ermando e a Maristela que também sairam
no laser Armadilo. Com isso tínhamos 4 barcos da flotilha na água, dois
dingues e dois lasers, o que daria um pega legal, mas com o vento fraco não
colocamos a nossa bóia improvisada na água. Lá no meio da lagoa encontramos
o Carlos Alberto e ficamos parados batendo papo esperando o vento dar o ar
da graça. Havia um grupo de estudantes da Universidade Gama Filho fazendo
umas pesquisas e o Carlos Alberto havia ajudado os alunos na coleta de água.
Sempre tem alguém fazendo estudos da lagoa, esperamos que um dia os
governantes façam bons usos dessas pesquisas para melhorarem a vida dessa
bela lagoa. Como quem espera sempre alcança, logo começou uma brisa e saímos
a velejar pela lagoa e ficamos até o final da tarde curtindo um belo por do
sol.
|
|
08/04/06 - Sábado -
XXV Regata Transararuama
M. Lamim |
| A Regata
Transararuama que é uma tradicional regata de percurso com 48Km de extensão
e que atravessa toda a Lagoa de Araruama, é promovida pelo Camping Clube do
Brasil e acontece todos os anos sempre na semana que antecede a Semana
Santa. A classe Laser larga às 11h do Camping Clube de Cabo Frio, no canal
de Itajuru. As classes Dingue, Hobbie Cat, Prancha a vela, Tropical, etc,
largam às 12h da enseada da Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia. A
classe Optimist larga da enseada do Bar Budo em Araruama às 13h. A chegada
de todas as classes é no camping Clube Araruama II. Quem já participou sabe
que esta regata é imperdível. Cinco
filiados da nossa flotilha participaram desta 25ª edição da regata: Carlos
Alberto e Etelmar no dingue Laureen, eu e Marina Lamim com o dingue Hip Hop,
com a largada de São Pedro da Aldeia às 12h e o Zeca e mais o seu proeiro
Rodrigo no Laser, com a largada de Cabo Frio às 11h. Este ano a regata teve
a participação de 40 barcos, sendo 10 da classe Dingue. Sempre com vento de
popa e não muito forte e com um bonito dia de sol, foi uma velejada bastante
agradável. O Carlos Alberto junto com seu proeiro Etelmar, arrebentaram,
ficando com o 2º lugar na classe Dingue com um tempo de 3h45m44s, eu e
Marina ficamos em 7º lugar com um tempo de 3h50m02s, com uma diferença de
apenas 2s na frente do oitavo lugar. O Zeca e Rodrigo faturaram as medalhas
de 1º lugar na Laser Double. Se Deus quiser ano que vem estaremos de volta e
com mais gente da flotilha participando. Bons ventos a todos.
|
|
18/03/06 - Sábado - flotilha de dois
M. Lamim |
| Depois daquela
indecisão se ia ou não ia velejar, consegui vencer a inércia e lá fui eu
rebocando meu dingue pra lagoa, fui sozinho já que o Danilo que seria o
proeiro não pôde ir. Achava que não ia dar ninguém, já que o tempo estava
ficando instável, mas chegando lá o Carlos Alberto do dingue Laureen já
estava velejando desde as 13h sozinho também. Pelo menos não seria uma
velejada solitária. Estava ventando bastante e tive dificuldades de encaixar
o mastro com a vela no copo do mastro, mas aquele vento estava prometendo
uma velejada bem emocionante. Já com o barco na água o Carlos Alberto me
desafiou para um pega até a praia da lagoa que estava bem na direção do
vento. Lá fomos nós bordejando e na maior parte do tempo com os barcos
paralelos, parecia até um Match-race. Quando chegamos na praia encontramos o Beno do veleiro Sakumé com a Marcela e a filha dele, a Ágata, só que eles
estavam de moto e não de barco. Saímos os quatro para uma velejada no meu
dingue e depois que fui ajudar o Carlos Alberto a desmontar seu barco, o
Beno ficou velejando com a família dele no dingue. No final de tarde voltei
sozinho lá pra rampa do Ermando muito satisfeito com a velejada do dia
pensando como valeu a pena ter saído da inércia e ido pra lagoa e ter
encontrado os amigos para uma velejada e um bate-papo. Ah, o teste da bóia
ficou pra próxima semana e espero que mais gente consiga sair daquela
inércia e ir dar uma velejada, pois sempre vale a pena.
|
|
19/02/06 - Sábado - "pelada" no vento 2 M.
Lamim |
| O tempo estava
ótimo, com muito sol e um ventinho NE. Conforme prometemos, construímos uma
bóia improvisada com 50 garrafas pet, a bóia ficou com 1,5m de altura
por 50 cm de diâmetro, tudo encapado com uma lona amarela, na parte de baixo
tinha 5 garrafas abertas para funcionarem como lastro e enchemos duas
garrafas pet de 2,75l de areia, brita e água para funcionar como
"âncora". Assim que chegamos na lagoa fomos logo testar a tal da bóia
ecológica, mas o sistema de lastro não funcionou e a bóia insistia em ficar
deitada, bom, pelo menos a âncora funcionou. Lançamos a bóia lá perto do
Hotel DuLac bem na direção do vento. Voltamos para a rampa do Ermando e
vimos que mesmo deitada ela ficou bem visível por causa da cor amarela. Hoje
apareceram 4 filiados e 4 barcos, sendo o Ermando no Laser, Mauro e Danilo
no Dingue, João Bosco de Windsurf e um laser que ainda não é
cadastrado na flotilha com 4 adolescentes a bordo. Botamos um pega barla-sota com largada
no contravento em frente a rampa do Ermando, contornando a bóia e com
chegada em popa na rampa. Por falar na rampa, o Ermando aproveitou quando o
nível da lagoa estava baixo devido a abertura feita pela prefeitura em
novembro do ano passado e completou com concreto o final da rampa acabando
com aquele degrau que atrapalhava subir com o barco. Parabéns pro Ermando,
que está sempre cuidando da rampa com o maior carinho e esforço próprio.
Para a próxima pelada, vamos tentar aperfeiçoar o sistema de lastro e
construir uma segunda bóia.
|
|
11/02/06 - Sábado -
a "pelada" no vento
M. Lamim |
| Hoje
começamos as velejadas semanais na Lagoa de Imboassica para ver se a galera
começa a se animar a colocar os barcos na água para velejar em grupo, o que
é um dos principais objetivos da flotilha. O tempo não ajudou muito, estava
bastante nublado e ameaçando chuva, mas mesmo assim compareceram 3 filiados
em dois barcos da flotilha, Carlos Alberto no dingue Laureen, Mauro e Danilo
no dingue Hip Hop. O Ermando apareceu no final pra dar uma olhada e disse
que só não pode velejar porque teve que atender um cliente.
Aproveitamos uns toquinhos, que estavam fincados na lagoa, como marcas e
botamos um pega, o vento estava muito bom e deu pra se divertir
bastante. Prometemos improvisar umas bóias para a próxima semana. No final
enquanto estávamos desmontando o barco caiu o maior toró, mas como a vela já
é um esporte molhado por natureza, só choveu no molhado. |
|
10/01/06 - Terça-feira -
aventura e desventura no Rio São João
M. Lamim |
| Este relato serve
para mostrar algumas coisas que nunca devemos fazer quando sairmos para
velejar. Aproveitando que estávamos de férias, eu e o Edson Veras resolvemos
subir o Rio São João no dingue Hip Hop para conhecer além daquela curva do
rio onde os barcos contornam a bóia na Regata do Poeta Casimiro de Abreu, e
também fazer um reconhecimento do percurso para quem sabe promovermos um
passeio à vela com a galera da flotilha.
Lançamos o barco na água numa rampa
de concreto que fica próximo do Iate Clube de Barra de São João e
contrariando as recomendações da própria flotilha, resolvemos ir sem os
coletes salva-vidas já que o rio é calmo e o vento estava fraco. Logo no
início da velejada, além do vento fraco e contra ainda tínhamos que lutar
contra a correnteza. Ficamos bordejando de um lado pro outro enquanto
um garotinho que estava remando um caiaque próximo da margem ficava
recebendo as instruções do seu pai. Um bom tempo depois o garotinho ainda
continuava do nosso lado, o problema era que o garotinho sempre ficava
remando em círculos. Finalmente conseguimos avançar e fazer a tal curva do
rio, e agora com o vento numa direção mais favorável pudemos começar nossa
aventura.
Passamos por uma estação de captação de água, que por sinal é
muito limpa, e por algumas casas na margem esquerda com pequenos piers e
barcos ancorados. As casas foram rareando cada vez mais até que depois de
algumas curvas não se via mais nenhum sinal de civilização, só uma natureza
com muito verde e a paisagem deslumbrante do Morro de São João a nossa
frente. Passamos por quatro garotos que estavam numa pequena canoa que
também subiam o rio. Depois de quase 1 hora de velejada, avistamos uma
prainha na margem direita e resolvemos dar uma paradinha. Assim que
amarramos o dingue nuns galhos na beira do rio vimos sinal de
"civilização" novamente, uma placa meio escondida no mato que dizia:
"PROPRIEDADE PARTICULAR. PROIBIDA A ENTRADA, CAÇAR E PESCAR." Achamos que
não iria aparecer nenhum segurança armado por ali, então aproveitamos para
nadar no rio, tirar umas fotos e beber uma cervejinha.
Resolvemos então
descer o rio, pois ainda pretendíamos velejar pela ponte quebrada. Soltamos
as amarras e aí começou aquela seqüência de fatores que levam a um acidente.
O Edson resolveu limpar a proa do barco que estava cheio de areia, só que
foi pelo lado de sotavento, nesse exato momento começou umas rajadas de
vento e como eu estava distraído não consegui evitar o capotamento. O barco
rapidamente ficou totalmente emborcado, e aí que vimos como era fundo onde
estivemos nadando, com mais de 7 metros de profundidade. Sem o colete nadei
e me segurei no barco, o tempo ia passando e nem sinal do Edson Veras,
comecei a chamar por ele já meio preocupado até que ele apareceu, estava
debaixo do barco e aproveitou o bolsão de ar formado pelo cockpit para ver
se as coisas estavam bem amarradas, provavelmente estava tratando de salvar
primeiro as latinhas de cerveja.
O jeito agora era desvirar o barco, mas a
bolina, que estava sem o batente(stopper), tinha sido empurrada para cima
pela água através da caixa de bolina ficou presa só pela pontinha, só que na
hora eu não percebi esse detalhe. Então num só impulso agarrei a bolina enquanto
tentava subir no barco apoiando a ponta dos pés no verdugo, a bolina cedeu
quebrando a ponta de madeira e eu escorreguei os pés do verdugo, como a unha
do dedão estava meio grande ela prendeu na borda e levantou como se fosse um
capô de carro. Foi tão rápido que na hora nem senti dor, só na água é que ví
que tinha alguma coisa errada. Mas como ainda tinha que desvirar o barco
escalei o mesmo pela popa, encaixei a bolina de volta e voltei o barco pra
posição normal.
Enquanto isso o Edson estava lá no
meio do rio abraçado com os dois coletes esperando ser resgatado. Sentindo
agora uma dor desgraçada no dedão comecei as tentativas de aproximação e só
depois de umas quatro ou cinco tentativas consegui resgatar o náufrago. Os
garotos da canoa nem se manifestaram em nos ajudar, provavelmente eles
estavam era se divertindo com as nossas trapalhadas. Além da unha, de um
óculos de sol perdido e da bolina quebrada, não houve mais nenhum dano.
Velejamos de volta, por mais ou menos uma hora, só que dessa vez não estava
achando mais nenhuma graça na paisagem.
Chegando em casa fui direto
para o hospital para acabar de tirar a unha, depois de ouvir a tradicional
bronca da mulher: eu não falei que era pra cortar essa unha!! No hospital a
enfermeira boazinha fez um curativo compressivo com gaze, mas não usou
pomada nenhuma. Então no dia seguinte na hora de trocar o curativo, a gaze
estava colada naquela carne viva do dedão e aí tive que "tirar a unha"
novamente, só que dessa vez em câmera lenta. Apesar de tudo, valeu
pelo passeio e pelas lições aprendidas: sempre velejar com coletes
salva-vidas, manter as peças do barco sempre em bom estado, treinar resgate
de homem ao mar e principalmente sempre aparar as unhas antes de sair para
velejar, pois unha grande definitivamente não combina com barco à
vela.
|
|