Associação de Vela de Macaé

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Autor: Peter Streichan                                                                                                    25/11/09

Para quem gosta de velejar, qualquer vento é bem vindo.

        Ao pensar em escrever sobre os bons tempos de vela na Lagoa de Imboassica, me vem à mente tantas lembranças boas, de momentos felizes, com adrenalina e de ficar com  a “alma lavada” após as velejadas.

  Foto Suzana Pizzorno - 1988       Mas, ao mesmo tempo sou invadido por ondas de tristeza, triste por mim e por aqueles que hoje tentam velejar na Lagoa, pois nunca mais poderemos desfrutar o que alguns de nós experimentamos nos anos 80, de tão assoreada e maltratada que a lagoa está. 

Entrei na lagoa a primeira vez no final de 79.  Perto daqueles piers no Mirante da Lagoa, apenas alguns metros para dentro da lagoa, a profundidade já passava de 2 metros.  A água sempre foi escura porém transparente. E com peixes, camarões cinza, goiamuns e “sirizões”. Nunca fui chegado a comer estas “aranhas d’agua”, mas que era impressionante a quantidade, a força da natureza naquela época, isto era. 

Tive um dedicado e entusiasmado professor para aprender o dingue:  Henrique “PenPen”, que deve estar velejando em alguma lagoa celestial. Se ninguém velejava no céu, agora veleja, com certeza.

Já para aprender o windsurf,  Chico Magarino me iniciou na prancha em Búzios e depois me  emprestou por um longo tempo uma prancha Windglider, com a qual comecei na Lagoa de Imboassica.

Obrigado a ambos, pois mudaram a minha vida para melhor.

 Muitos, mas muitos tombos até conseguir ir e voltar na prancha.  Creio que o fato de estar aprendendo, tanto o windsurf como o dingue, tornou ainda mais mágica aquela época e a lagoa.  A lagoa para mim era ideal.  Mesmo com ventos fortes as marolas eram pequenas e era só curtição.  E por ser lagoa, se quebrasse alguma coisa, a gente sempre acabava em alguma margem segura. 

Com o dingue eu explorava a lagoa até perto do posto.  Gostava de passear entre  as pequenas ilhas que ficavam no fundo da lagoa, de experimentar o vento, como rodava, como eu teria que ajustar a vela e a bolina.  Naquela época começou me fascínio e prazer de como  se pode  velejar e se mover tanto, muitas vezes bem rápido, só com o vento.  

Quando me falavam que para quem não sabe onde vai nenhum vento serve, sempre respondi que para quem gosta de velejar,  qualquer vento é bem vindo

Já com a prancha eu velejava por toda lagoa, se pudesse,  “voando baixo”.  Gostava mesmo do  sudeste,  forte. O vento sudeste vem por cima da fazenda do lado de Rio das Ostras e não fazia qualquer onda perto desta margem. Era como velejar em um espelho de tão liso, e rápido. 

Caramba, como tenho saudades daquelas velejadas de vento sudeste! Só encontrei coisa semelhante, mas no mar, em Aruba. 

Meus amigos na lagoa na época eram, sem ordem cronológica e puxando pela memória (quem me conhece bem sabe que sou péssimo para lembrar nomes, então me perdoem os não lembrados aqui..), meus filhos Sidnei, Henrique e Guilherme,  Edimar, Henrique PenPen, Charlie, Márcia,  Quitéria, João Bosco, Paulista, Alcidnei, Paulo, Fred (meu benchmark para o windsurf), Ermano e outros. Alcidnei, Márcia, Quitéria e Fred eram os companheiros mais constantes.  E para os familiares que não velejavam mas davam aquela força e suporte na praia ou em casa, meu abraço de agradecimento. 

Chez Pierre tentou implementar um projeto ecológicamente correto  do Alcidnei em frente o Du Lac (porque não pedir ao Alcidnei para dar-lhes uma cópia e colocar no site?),  mas os governantes, a mesma turma que por anos  nada fez pela lagoa, não deixou.   Uma pena, pois seria  um destaque visual para o esporte o que traria novos adeptos (quem sabe alguém com influência no governo de Macaé), e hoje poderíamos estar vivenciando uma situação melhor.

Em 85 a Suzana liderou a criação do Vela Clube de Macaé.  Infelizmente durou pouco.  Os detalhes estão no seu depoimento que recomendo ler.  

 Enfim,  eu tenho com a Lagoa de Imboassica dos anos 80 e com os amigos da época um sentimento de gratidão por ter começado ali e com eles (as) a aprender a arte de velejar e por ter isto influenciado a minha vida para melhor. O mínimo que posso fazer é dar o meu testemunho e recomendar a quem tem filhos (as) que os iniciem neste esporte.  As recompensas são para a vida toda, e boas.

 Hoje não moro mais em Macaé.  Aposentado e decepcionado com a situação da Lagoa de Imboassica, só me restou  buscar as mesmas alegrias do vento e da água, com bem mais adrenalina, confesso, em outro local, onde o vento sopra forte,  até 35 knots.  O dingue  NAPE vendi em Macaé para quem também gosta de velejar.  Fiquei no windsurf. Para sempre. 

À atual turma do Macvela desejo todo o sucesso na difícil empreitada de convencer os governantes a fazerem a coisa certa, investindo de fato na recuperação da Lagoa.

 Bons ventos.