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Ao pensar em escrever sobre os bons tempos de vela na Lagoa de Imboassica,
me vem à mente tantas lembranças boas, de momentos felizes, com adrenalina e
de ficar com a “alma lavada” após as velejadas.
Mas, ao mesmo tempo sou invadido por ondas de tristeza, triste por mim e por
aqueles que hoje tentam velejar na Lagoa, pois nunca mais poderemos
desfrutar o que alguns de nós experimentamos nos anos 80, de tão assoreada e
maltratada que a lagoa está.
Entrei na
lagoa a primeira vez no final de 79. Perto daqueles piers no Mirante da
Lagoa, apenas alguns metros para dentro da lagoa, a profundidade já passava
de 2 metros. A água sempre foi escura porém transparente. E com peixes,
camarões cinza, goiamuns e “sirizões”. Nunca fui chegado a comer estas
“aranhas d’agua”, mas que era impressionante a quantidade, a força da
natureza naquela época, isto era.
Tive um
dedicado e entusiasmado professor para aprender o dingue: Henrique “PenPen”,
que deve estar velejando em alguma lagoa celestial. Se ninguém velejava no
céu, agora veleja, com certeza.
Já para
aprender o windsurf, Chico Magarino me iniciou na prancha em Búzios e
depois me emprestou por um longo tempo uma prancha Windglider, com a qual
comecei na Lagoa de Imboassica.
Obrigado a
ambos, pois mudaram a minha vida para melhor.
Muitos, mas
muitos tombos até conseguir ir e voltar na prancha. Creio que o fato de
estar aprendendo, tanto o windsurf como o dingue, tornou ainda mais mágica
aquela época e a lagoa. A lagoa para mim era ideal. Mesmo com ventos
fortes as marolas eram pequenas e era só curtição. E por ser lagoa, se
quebrasse alguma coisa, a gente sempre acabava em alguma margem segura.
Com o dingue
eu explorava a lagoa até perto do posto. Gostava de passear entre as
pequenas ilhas que ficavam no fundo da lagoa, de experimentar o vento, como
rodava, como eu teria que ajustar a vela e a bolina. Naquela época começou
me fascínio e prazer de como se pode velejar e se mover tanto, muitas
vezes bem rápido, só com o vento.
Quando me
falavam que para quem não sabe onde vai nenhum vento serve,
sempre respondi que para quem gosta de velejar, qualquer vento é
bem vindo.
Já com a
prancha eu velejava por toda lagoa, se pudesse, “voando baixo”. Gostava
mesmo do sudeste, forte. O vento sudeste vem por cima da fazenda do lado
de Rio das Ostras e não fazia qualquer onda perto desta margem. Era como
velejar em um espelho de tão liso, e rápido.
Caramba, como
tenho saudades daquelas velejadas de vento sudeste! Só encontrei coisa
semelhante, mas no mar, em Aruba.
Meus amigos
na lagoa na época eram, sem ordem cronológica e puxando pela memória (quem
me conhece bem sabe que sou péssimo para lembrar nomes, então me perdoem os
não lembrados aqui..), meus filhos Sidnei, Henrique e Guilherme, Edimar,
Henrique PenPen, Charlie, Márcia, Quitéria, João Bosco, Paulista, Alcidnei,
Paulo, Fred (meu benchmark para o windsurf), Ermano e outros. Alcidnei,
Márcia, Quitéria e Fred eram os companheiros mais constantes. E para os
familiares que não velejavam mas davam aquela força e suporte na praia ou em
casa, meu abraço de agradecimento.
Chez Pierre
tentou implementar um projeto ecológicamente correto do Alcidnei em frente
o Du Lac (porque não pedir ao Alcidnei para dar-lhes uma cópia e colocar no
site?), mas os governantes, a mesma turma que por anos nada fez pela
lagoa, não deixou. Uma pena, pois seria um destaque visual para o esporte
o que traria novos adeptos (quem sabe alguém com influência no governo de
Macaé), e hoje poderíamos estar vivenciando uma situação melhor.
Em 85 a
Suzana liderou a criação do Vela Clube de Macaé. Infelizmente durou pouco.
Os detalhes estão no seu
depoimento
que recomendo ler.
Enfim, eu
tenho com a Lagoa de Imboassica dos anos 80 e com os amigos da época um
sentimento de gratidão por ter começado ali e com eles (as) a aprender a
arte de velejar e por ter isto influenciado a minha vida para melhor. O
mínimo que posso fazer é dar o meu testemunho e recomendar a quem tem filhos
(as) que os iniciem neste esporte. As recompensas são para a vida toda, e
boas.
Hoje não
moro mais em Macaé. Aposentado e decepcionado com a situação da Lagoa de
Imboassica, só me restou buscar as mesmas alegrias do vento e da água, com
bem mais adrenalina, confesso, em outro local, onde o vento sopra forte,
até 35 knots. O dingue NAPE vendi em Macaé para quem também gosta de
velejar. Fiquei no windsurf. Para sempre.
À atual turma
do Macvela desejo todo o sucesso na difícil empreitada de convencer os
governantes a fazerem a coisa certa, investindo de fato na recuperação da
Lagoa.
Bons ventos.
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